Bartolomeu Dias
(1450?-1500)
Navegador português
É difícil comprovar quer a data de nascimento, quer a ascendência deste navegador português, por existirem homónimos seus na época, o que dificulta a enumeração dos feitos por si alcançados.
Sabe-se, no entanto que se trata de um navegador português, destacado por D. João II, pelos seus conhecimentos de matemática e astronomia, para explorar a costa africana e estabelecer relações pacíficas com Prestes João.
Notabilizou-se por ter sido o primeiro a dobrar a ponta meridional de África, o então conhecido por Cabo das Tormentas, que passou a ser designado por Cabo da Boa Esperança. Tal feito, abriu a possibilidade de se encontrar um caminho marítimo alternativo, que possibilitasse o comércio com o oriente.
A expedição de Bartolomeu Dias largou de Lisboa, em agosto de 1486(*), com uma armada de três Navios (S. Cristóvão, pilotado por Pêro de Alenquer e comandado por Bartolomeu Dias; a caravela S. Pantaleão, pilotada por Álvaro Martins e comandada por João Infante; uma naveta de mantimentos pilotada por João de Santiago e comandada pelo irmão de Bartolomeu Dias, Pêro (ou Diogo) Dias), e chegou até ao rio Infante, situado na costa oriental de África. Regressou a Lisboa em dezembro do ano de 1487(*).
Apesar das novas possibilidades, os descobrimentos foram interrompidos, (segundo algumas referências históricas), por um lado porque D. João II, tinha o propósito de que o Atlântico fosse reconhecido por todos (principalmente os castelhanos) como um mar português, o que veio a acontecer em 1494 com a assinatura do Tratado de Tordesilhas, que garantiu a Portugal os territórios de África, Índia e Brasil (oficialmente ainda por descobrir). Por outro lado, porque era necessário construir navios mais fortes capazes de resistirem aos ventos e mares revoltos que se faziam sentir à passagem do Cabo da Boa Esperança.
Em 1497, ao serviço de D. Manuel I (sucessor de D. João II), Vasco da Gama inicia uma expedição em busca do caminho marítimo para a Índia. Integrado na armada de Vasco da Gama, seguiu Bartolomeu Dias, que capitaneava uma caravela que acompanhou a frota até às ilhas de Cabo Verde, com o propósito de chegar a S. Jorge de Mina.
Em 1500, Bartolomeu Dias acompanhou a armada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil e daqui rumou à Índia, ao comando de um dos navios da frota, onde morreu, quando a sua caravela naufragou, ao largo do cabo da Boa Esperança.
Luís de Camões homenageou Bartolomeu Dias, na estância 44 do canto V de Os Lusíadas que a seguir se transcreve:
«Aqui espero tomar, se não me engano
de quem me descobriu suma vingança,
e não se acabará só nisto o dano
de vossa pertinace confiança:
antes em vossas naus vereis cada ano
se é verdade o que meu juízo alcança,
naufrágios, perdições de toda sorte,
que o menor mal de todos seja a morte.»
O navegador foi também homenageado por Fernando Pessoa, que lhe dedicou um poema, na segunda parte da sua obra, Mensagem:
«EPITÁFIO DE BARTOLOMEU DIAS
Jaz aqui, na pequena praia extrema,
O Capitão do Fim. Dobrado o Assombro,
O mar é o mesmo: já ninguém o tema!
Atlas, mostra alto o mundo no seu ombro.»
Em 1987 e 1988 os CTT emitiram uma série de selos comemorativos da viagem de Bartolomeu Dias (desenhos de Filipe Abreu).
(*)As várias fontes consultadas para a produção deste texto apontam datas distintas relativas à expedição deste ilustre navegador, por isso, optámos por indicar a data referida na obra: Decada primeira da Asia de João de Barros. Dos feitos que os portugueses fezerão no descobrimento & conquista dos mares & terras do Oriente…, edição de 1628; pelo que, a leitura deste texto não dispensa a consulta de outras fontes.
saber mais...
Os Portugueses e o cabo da Boa Esperança, vídeo documentário RTP da autoria de Mário Crespo, 1998.
Fonte:
Bartolomeu Dias, disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Bartolomeu_Dias, consultado em 8 de abril de 2015.
Decada primeira da Asia de João de Barros. Dos feitos que os portugueses fezerão no descobrimento & conquista dos mares & terras do Oriente…, edição de 1628, cópia pública disponível na Biblioteca Nacional de Portugal em http://purl.pt/21935/3/res-1395-v/res-1395-v_item5/index.html#/106, consultado em 24 de junho de 2015.
Os Lusíadas de Luís de Camões, edição de 1572, cópia pública disponível na Biblioteca Nacional de Portugal em http://purl.pt/1/3/#/182, consultado em 24 de junho de 2015.
Epitáfio de Bartolomeu Dias, Mensagem de Fernando Pessoa, edição de 1934, cópia pública disponível na Biblioteca Nacional de Portugal em http://purl.pt/13966/3/#/62, consultado em 24 de junho de 2015.
História de Bartolomeu Dias, História de Portugal disponível em http://www.historiadeportugal.info/bartolomeu-dias, consultado em 24 de junho de 2015.
