Heliodoro Salgado
(1861-1906)
Jornalista
Heliodoro Salgado nasceu na freguesia de S. Martinho de Bougado (Santo Tirso) a 8 de julho de 1861, estudou no Colégio dos Meninos Órfãos do Porto, após morte do seu pai, Eduardo Salgado. Começou a sua carreira profissional como professor primário, mas cedo a trocou pela de jornalista.
Estreou-se no jornal socialista Protesto, fez parte da redação do Século sob direção de Magalhães Lima e em 1891, aquando a revolta do Porto «combatia na imprensa ao lado de João Chagas»(*).
Em Lisboa fez parte da redação da Vanguarda e escreveu também na Folha do Povo, sob direção de Botto Machado.
De regresso ao Porto fundou O Alarme, que pouco durou. Novamente em Lisboa escreveu na Lucta de onde saiu para a redação do Mundo colaborando, ao mesmo tempo, com o Vanguarda.
Durante a sua atividade jornalística, colaborou com os seguintes jornais: Diario da Tarde, Voz do Operario, Ecco Socialista, A Portugueza, Republica Portugueza, Norte, Paiz, Laterna, Federação, Obra, Voz da Officina, Germinal, Metallurgico, Reacção, Jornal de Abrantes, Combate, Vintem das Escolas, Benaventense, Debate, Mundo Legal e Judiciario, Livre Exame, etc.
Defensor e especial interessado pelos ideais democráticos, de entre os quais, a liberdade de consciência, dedicar-se-ia a esta temática na qualidade de conferencista e participante orador em diversos fóruns.
Faleceu em Lisboa a 12 de outubro de 1906.
Extrato da secção de necrologia da revista O Occidente, de 20 de outubro de 1906, noticiando o falecimento de Heliodoro Salgado:
«Tem hoje esta secção de registar a morte de um homem ainda moço a quem, talvez, o excesso de vida agitada, erriçada de espinhos, numa grande luta moral de racionalista proudhoniano, de um espirito revoltado, lhe gastou o organismo prematuramente, levando-o á sepultura, na idade em que a razão principia a dominar os impulsos das primeiras paixões. (…) Democrata convicto serviu o seu partido desinteressadamente e por elle sofreu até á prisão, em que esteve por duas vezes; a primeira, no agitado período de 1890 a 1891, cumprindo sentença de um mez a que fôra condemnado por causa de um artigo publicado no jornal A Patria; e da segunda vez, em 1897, cumpriu cinco mezes de prisão por ter escrito uns artigos na Batalha. (…) O funeral de Heliodoro Salgado realisou-se no domingo 14 do corrente e foi um dos mais concorridos a que Lisboa tem assistido, pois a elle acudiu uma boa parte da população da cidade que ali se incorporou e que lhe abriu alas por todo o trajecto.»
(*)in revista O Occidente, de 20 de outubro de 1906.
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Obras digitalizadas de Heliodoro Salgado, Biblioteca Nacional de Portugal
Fonte:
Arquivo de Toponímia.
Toponímia de Lisboa, https://toponimialisboa.wordpress.com/2014/07/08/no-aniversario-de-heliodoro-salgado-a-sua-rua-no-monte-agudo/, consultado em 3 de agosto de 2015.
Almanaque Republicano, http://arepublicano.blogspot.pt/2007/10/heliodoro-salgado-parte-i-nascido-em-s.html, consultado em 3 de agosto de 2015.
Fotografia no topo: Ilustração de Heliodoro Salgado por Francisco Pastor, presente na revista O Occidente de 20 de outubro de 1906.
