Rua da República

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Inicialmente o nome desta artéria era “Rua Direita”, não porque o seu traçado fosse linear (muitas “Ruas Direitas” em Portugal são particularmente sinuosas), mas porque era o caminho mais “a direito” entre a Câmara (sede do poder civil) e a Igreja (sede do poder espiritual). A designação tinha, de certo modo, o significado de “rua principal”.

O entusiasmo com as explorações do continente africano, realizadas por navegadores portugueses no final do século XIX, levaram os sesimbrenses a mudar o nome  desta rua para Rua Serpa Pinto (em 1890, já tinha esta designação).

Com a implantação do regime republicano, em 1910, passou a ter a atual designação de Rua da República (enquanto o nome de Serpa Pinto migrou para uma rua paralela).

Logo à entrada da rua, no lado direito, destaca-se o edifício da Câmara Municipal, uma construção do século XVI, onde no seu interior se podem observar os azulejos das paredes, que reproduzem aspetos da vida piscatória sesimbrense).

Frente à Câmara, encontra-se o edifício onde funcionaram, a partir de 1897, as associações de classe dos Pescadores, dos Operários Conserveiros, e também a Associação de Classe das Operárias Conserveiras e Costureiras, uma das primeiras associações operárias femininas de Portugal. Esta Associação, representada por Olinda da Conceição, participou na fundação, em julho de 1897, da Federação Socialista do Sexo Feminino, a primeira organização feminista de Portugal.

Próximo da Câmara, com porta para esta rua, localiza-se o Mercado Municipal, em instalações que foram inicialmente construídas para uma fábrica de conservas, do conserveiro francês Ferdinand Garrec, e mais tarde da Sociedade Luzitana de Conservas.

No n.º 13 encontra-se o magnífico edifício “Pinto Leão”, nome popular da família a que pertenceu o médico António Pinto Leão de Oliveira (1846-1898), que teve um papel muito importante no desenvolvimento do Partido Republicano Português, tendo sido também fundador do jornal O Século (1880 -1978). O edifício é característico das construções promovidas pela burguesia sesimbrense, com as fachadas cobertas de azulejos.

Também coberto a azulejos é o edifício onde funciona a pastelaria O Caseiro construído em 1908 por José Manuel Rodrigues do Giro, capataz das armações de pesca.

Cruzando-se atualmente com a Rua da República está a Avenida da Liberdade. Porém, no passado, o lado norte da Rua Direita era um contínuo de casas, e à esquerda abria-se um largo, onde funcionava a praça ao ar livre.

Na porta n.º 28 encontra-se a empresa Sesigas, em cujo interior se encontra um magnífico painel de azulejos, de autor desconhecido, colocado em meados do século XX, quando ali funcionava a grande sala de jantar do restaurante Golfinho. Este restaurante ainda existe, com um espaço mais reduzido, no n.º 34 da mesma rua, constituindo uma referência na gastronomia sesimbrense.

Sobre as portas com os números 25 e 27 pode ver-se um painel de azulejos da antiga Padaria Lisbonense. No primeiro andar deste edifício, que tem acesso pela porta número 29, funcionou o Centro Republicano Leão de Oliveira, um clube político que até 1910 desenvolveu propaganda a favor do regime republicano. Posteriormente à implantação da República (Outubro de 1910) este Centro viria a aderir ao Partido Republicano Evolucionista. Mais tarde funcionou aqui a sede do União Foot-Ball Cezimbra, um dos primeiros clubes de futebol da vila, e que viria a juntar-se a outros para fundar o atual Clube Desportivo de Sesimbra.

No 1.º andar do edifício que atualmente se encontra em ruínas, com as portas n.º 40 a 44, funcionou, ainda durante o século XIX uma das primeiras sedes da Sociedade Recreativa Impressão Musical, instituição de cultura e recreio, mas que funcionava igualmente como clube político, agregando os adeptos mais à esquerda, popularmente designados como “Trapilhas”, os quais se opunham aos “Coques”. Aqui também funcionou, mais tarde, a sede do clube desportivo Pátria Futebol Clube.

No n.º 46 encontra-se atualmente o Centro Comercial Oficina, que deve o seu nome ao facto de ter ali funcionado a “oficina do Brandão”, da qual ainda se conserva o grande guincho central. Entre as numerosas lojas deste espaço, destaca-se a Garrafeira de Sesimbra que mantém a produção do Licor O Pescador / Velho do Mar, marca criada por Marcos Carvalho em meados do século XX.

A porta n.º 48 dá acesso ao Clube Sesimbrense, mas trata-se da porta lateral. A entrada principal encontra-se no Largo José António de Almeida. Este clube, fundado em 1853, então com a designação de Grémio Philarmónico, era uma instituição de cultura e recreio, mas que funcionava igualmente como clube político.

Neste Clube pode ser visitado o seu magnífico salão, onde já se fizeram comícios políticos, representaram peças de teatro e tiveram lugar centenas de bailes e concertos musicais.

No n.º 57 encontra-se a sede do jornal O Sesimbrense, o mais antigo jornal de Sesimbra ainda em publicação, fundado em 1926.

Nas portas 61 a 65, funcionou a Mercearia Ideal, a qual tinha associada a Cervejaria Ideal. O interior destes estabelecimentos mantêm a sua estrutura e equipamentos originais, funcionando atualmente como ponto de venda de produtos regionais.

Continuando a subir a rua da República, encontramos à direita uma alta parede caiada, pertencente à Capela do Espirito Santo dos Mareantes. Atualmente não há qualquer porta nesta parede, mas já houve aqui, uma entrada para o Hospital da Confraria do Corpo Santo dos Mareantes de Sesimbra, o qual pode ser visitado a partir da Capela do Espírito Santo, que é atualmente um museu de arte sacra.

A Confraria do Corpo Santo, dos Mareantes de Sesimbra tinha como patrono o dominicano, e castelhano, Pedro Gonçalves Telmo (1180-1246), Santo que os protegia nas tempestades, e que se manifestava nos “fogos de São Telmo”, pequenas chamas que se acendiam nos mastros das embarcações durante os temporais. O Corpo Santo que dava o nome à Confraria, era precisamente o corpo deste Santo.

Pontos de Interesse:
Festas em honra do Sr. Jesus das Chagas, 4 de Maio;
Edificio dos Paços do Concelho;
Antigo Edifício das Finanças;

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2015 - Topo este

Fonte:

Fotografia da Mercearia Ideal por Luis Filipe Cagica Pinto

Histórico do topónimo:
Rua da República [1910-hoje]
Rua Serpa Pinto [?-1910]
Rua Direita [?-?]
Deliberação:
14.03.1985
20.10.1910
(em pesquisa)
Concelho:
Sesimbra
Freguesia:
Santiago
Localidade:
Sesimbra
Numeração de polícia:
1 - 65
Extremos:
Início: Largo do Município
[38°26’36.99″N 9° 5’59.16″W]

Fim: Largo José António Pereira
[38°26’37.42″N 9° 6’4.47″W]
Extensão:
130m
Tipo de Pavimento:
Calçada
Transitável:
Em parte
Mapa:
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