As armações foram importantes artes de pesca que subsistiram durante séculos e operaram em Sesimbra até aos anos 60.
Eram compostas por um complexo conjunto de redes e cabos, sustentado por um não menos complexo sistema de âncoras ou ferros, afirmando-se assim como um dos mais perfeitos aparelhos de pesca, apesar de difícil montagem.
Tinham grande importância na economia local não só pelo volume de pescado mas também porque delas dependiam direta e indiretamente muitas famílias, sendo que a companha de cada Armação era composta por aproximadamente 50 homens.
O sistema ultimamente utilizado pelas armações de Sesimbra era designado como sistema “valenciano”. As armações “à valenciana” substituíram as anteriores “armações redondas” que, por sua vez, derivaram dos “acedares” que, segundo o historiador Fernando Pedrosa, terão sido inventados em Sesimbra, em finais do século XV, por adaptação das almadrabas atuneiras que aqui existiam, exploradas por armadores sicilianos.
O arraial desta armação – e também da armação Agulha, do mesmo concessionário – situava-se no pequeno vale onde depois foi edificado o Hotel do Mar. Foi neste local, durante uma greve dos pescadores, que, em 11 de abril de 1900, a tropa disparou sobre os grevistas, provocando três mortos e vários feridos.
A armação Cova possuiu um dos mais completos “calhaus”, instalações existentes na pequena enseada em frente à armação para abrigo da companha. Ainda hoje são visíveis as ruínas do Calhau da Cova, onde foi construída uma pequena muralha e guarita, trabalho de fantasia imitando o perfil de uma Fortaleza.
A armação da Cova tinha a sua localização geográfica na Ponta de S. Pedro, e foi concessionada a Joaquim Gomes de Loureiro, em meados do século XIX, tendo esta família mantido sempre a respetiva concessão.
Fonte:
Marques, António Reis. As Artes de Pesca de Sesimbra, 2.ª edição. Sesimbra: Câmara Municipal de Sesimbra, 2007.
