António Pinto Leão de Oliveira
(1846-1898)
Médico
Nasceu em Sesimbra, a 1 de janeiro de 1846, filho do comerciante sesimbrense Joaquim José de Oliveira Reis e de Maria Rosa Pinto Leão, no seio de uma família humilde. Tal facto levou-o a dar explicações para assegurar a prossecução dos seus próprios estudos. Licenciou-se em medicina e estabeleceu consultório na Rua dos Fanqueiros, em Lisboa.
Enquanto médico, António Pinto Leão de Oliveira era conhecido, não só pelo seu prestígio junto da população mais abastada, mas também, pelo facto de atender os mais necessitados de forma gratuita, disponibilizando-se inclusive para oferecer medicamentos aos mais pobres.
O sucesso da sua carreira enquanto médico possibilitou-lhe os meios necessários à construção de um prédio, conhecido por prédio Pinto Leão, sito na Rua da República, em Sesimbra.
Este republicano pertenceu à fação federalista, durante a década de 70 do século XIX.
Fez parte da vereação de Lisboa de 1892 a 1895, sob as presidências do Conde de Ottolini e do Conde do Restelo. Foi reconhecido pela Câmara de Lisboa, que atribuiu o seu nome a uma rua da freguesia de Alcântara, conforme o edital, daquela edilidade, em 24 de novembro de 1910, após a implantação da República.
Colaborou no jornal O Rebate, que se publicou em Lisboa, entre 29 de junho de 1873 e 23 de fevereiro de 1874 que pertencia ao Centro Republicano Federal, e foi um dos fundadores do jornal O Século em 1880.
Joaquim Madureira (Braz Burity), na sua obra Caras Amigas (Gente Limpa), Antiga Casa Bertrand José Bastos & C.ª, Lisboa, 1909, p. 251 a 261, traça algumas das características deste republicano, e apresenta uma ilustração da autoria de Cristiano de Carvalho.
«Leão d’Oliveira era uma instituição.
Instituição de beneficencia, caixa de reserva, sopa economica, agencia funebre, asylo de infancia desvalida, albergue de invalidos do trabalho, Nossa Senhora dos Apertos, advogado dos impossiveis, e além d’isto tudo […] era tambem, uma instituição constitucional: especie de conselho de Estado, experiente e honesto, prudente e conciliador, que, instinctivamente, sem dar por isso, dava conselhos e lições, acalmava arrebatamentos e espicaçava inercias, honrado, methodico, pratico, videiro, n’um partido de lunaticos, de idealistas e de farçantes, que ora andam nas nuvens a sonhar revoluções, ora descem cá p’ra baixo, a planear indrominas, ribalderias, patuscadas, sem pés nem cabeça, sem senso e, as mais das vezes, sem vergonha. […](p. 256-257)
Mas o dr. Leão d’Oliveira não foi um homem, não foi um apóstolo, um chefe, um semeador: no seu papel obscuro, secreto, cheio de sombra e de actividade, amando como poucos a puresa immaculada da Idea, elle despia-a de todos os seus romantismos, de todas as espiritualidades, e, embalando o sonho nas idealisações da chimera, traduzia-a na prosa chã da realidade, das necessidades caseiras e charras do dia a dia. […](p. 257-258)
Num partido desorganisado, elle era a organisação, o methodo; n’um meio de impenitentes bardos romanticos, esgadelhados e lunaticos, elle era a prosa, a realidade e a vida.
Depois, rico e independente e generoso, antes de ter organisado o cofre do partido, era elle o cofre de todos os partidarios. (p. 259)».
Leão de Oliveira, faleceu em Lisboa, a 29 de junho de 1898.
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Rua Leão de Oliveira (António Reis Marques in Sesimbra eventos. Sesimbra: CMS, 2002. N.º 19, p. 35-36)
Fonte:
A rua do Leão de Alcântara, https://toponimialisboa.wordpress.com/2014/07/04/a-rua-do-leao-de-alcantara/, consultado em 26/06/2015
Leão de Oliveira, http://arepublicano.blogspot.pt/2007/01/leo-de-oliveira-nasce-em-sesimbra-1-de.html, consultado em 26/06/2015
Leão de Oliveira, http://sesimbra.blogspot.pt/2007/01/leo-de-oliveira.html, consultado em 26/06/2015
Marques, António Reis. Rua Leão de Oliveira, Sesimbra nas ruas in Sesimbra Eventos. Sesimbra: CMS, 2002. N.º 19, p. 35-36.
Madureira, Joaquim (Braz Burity). Caras Amigas (Gente Limpa), Antiga Casa Bertrand José Bastos & C.ª, Lisboa, 1909, p. 251 a 261, disponível em https://archive.org/details/carasamigasgente00buri, consultado em 26/06/2015.
Fotografia no topo: Ilustração de Leão d’ Oliveira por Cristiano de Carvalho, presente na obra Caras Amigas (Gente Limpa) de Joaquim Madureira (Braz Burity), Antiga Casa Bertrand José Bastos & C.ª, Lisboa, 1909.
